Conteudo retirado do site
Profª.
Sônia M. Aranha R. de Andrade
Pedagoga e Mestre em Educação pela Unicamp
PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
1)
Proposta Pedagógica
Na construção de seu Projeto Político/Pedagógico, em consonância com os princípios que regem as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a ESCOLA X articula a subjetividade (vontade de mudança) com a objetividade (condições existentes) para que, dialeticamente , sejam produzidas as transformações necessárias. Neste contexto, parte sempre da crítica à proposta , da proposta à ação e da ação a uma nova crítica.
Admitindo que um Projeto Político/Pedagógico tem consciência e clareza de que está pautado em determinada concepção de Educação e Ensino e
partindo do conhecimento da realidade humana é que a ESCOLA X entende o problema dos valores, determinando seus objetivos e definindo prioridades.
Entendo que promover o homem significa tornar o homem mais capaz de conhecer os elementos de sua situação para intervir nela transformando-a no sentido de uma ampliação da liberdade, da comunicação e da colaboração entre os homens , a ESCOLA X assume, dentro dos seus limites, objetivos e na sua especificidade, a formação de atitudes inerentes a construção de determinados conceitos, explicitados em seus Planos e Currículo.
A proposta pedagógica da ESCOLA X
visa a construção de uma sociedade justa e fraterna, penetrada pelos
valores da verdade, da justiça, da partilha, da solidariedade e da igualdade.
Todos os valores que embasam o trabalho pedagógico da escola nutrem-se do princípio social da prática docente e não docente: o interesse em que o educando aprenda e se desenvolva, que é mediado pela assimilação ativa dos conhecimentos sócio-culturais , por intermédio do processo de elaboração conceitual.
Tal princípio é operacionalizado na prática pela utilização dos resultados da ciência pedagógica, que tenta compreender como se desenvolvem e se formam os processos mentais superiores, assim como encaminham proposição de recursos metodológicos.
Os educadores da ESCOLA X , com fundamento em
valores autênticos , e, tendo em vista oferecer aos educandos condições
efetivas de uma aprendizagem metodicamente buscada, por intermédio de uma prática
crítica e construtiva, deverão estabelecer a mediação que propicie a
assimilação da cultura com a metodologia que a atravessa, visando o
desenvolvimento das capacidades cognoscitivas de cada educando: capacidade de
pensar coerentemente, de observar seletivamente, de analisar situações
complexas, de produzir sínteses de diversos e variados elementos, de intuir, de
criar.
Os conhecimentos adquiridos deverão possibilitar a
iluminação da realidade, deverão possibilitar ao educando penetrar nos mistérios
e conexões objetivas da realidade, desvendando-as, para que possa agir sobre
ela transformando-a no sentido materialista histórico.
A Proposta Pedagógica da Escola fundamentalmente se apoia na pedagogia histórico crítica, buscando um encadeamento lógico entre a dinâmica do desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos educandos e de suas convicções , objetivos da aprendizagem e recursos metodológicos e da articulação crítica de todos esses elementos a um objetivo político.
A Proposta Pedagógica da ESCOLA X é uma proposta concreta, viva, discutida , decidida e sustentada pelos diferentes segmentos da comunidade escolar, com o propósito de superar a desarticulação e a fragmentação observadas constantemente na prática educativa: é uma proposta pedagógica construída por todos que atuam no cotidiano e que considera as questões relativas ao currículo, ao planejamento , à avaliação e funcionamento da escola como instituição social.
A Escola busca o trabalho educacional calcado no compromisso e na ética do educador como elemento pertencente a uma equipe com todas as suas responsabilidades na formação consciente do cidadão.
2) Os princípios que norteiam a Proposta Pedagógica
2.1)
Princípios Filosóficos:
Homem é visto enquanto um ser concreto e histórico, pois ele produz seus meios de vida. O que o homem é coincide, portanto com a sua produção , tanto com o que produzem , como o modo como produzem. O que o homem é depende das condições materiais de sua produção. Por isso ele é histórico, pois ao desenvolver sua produção material e intercâmbio material, transformam também, com esta sua realidade , seu pensar e os produtos de seu pensar. O homem de hoje difere do homem de outrora, pois está imerso numa sociedade concretamente localizada num tempo e espaço determinados.
O mundo está em perpétuo movimento sujeito a múltiplas transformações realizadas pelo homem.
A educação é entendida e analisada sempre em uma realidade sócio-hitórica específica sendo, portanto, provocadora de questionamentos e abrindo perspetivas para transformação , capaz de reproduzir e minar ao mesmo tempo as estruturas vigentes.
2.2)
Princípios sociológicos:
A História é aqui considerada enquanto conjunto das relações humanas ocorridas no movimento da estrutura social, num determinado tempo e espaço a partir das necessidades coletivas
A cultura é compreendida enquanto síntese da relação homem-mundo e constituída pelo trabalho.
A educação
é uma instituição social , com papéis determinados pela sociedade que mantém
e reproduz as relações sociais de produção. Entretanto, é por meio dela que
se pode ampliar a consciência para transformar essas mesmas relações sociais
de produção.
2.3)
Princípios Psicológicos:
A aprendizagem mediada pela linguagem , tem papel fundamental no desenvolvimento humano. O “aprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”(Vygotsky/1991)
As funções psicológicas têm um suporte biológico, pois são produto da atividade cerebral; fundamenta-se nas relações sociais entre indivíduo e o mundo exterior, desenvolvendo-se num processo histórico. A relação homem-mundo é uma relação mediada por sistemas simbólicos.
A linguagem , portanto, é vista enquanto forma de interação especificamente humana e como sistema de signos culturalmente organizado. É mediadora entre o sujeito e o conhecimento , constitutivo do pensamento e da ação e responsável pela transformação das funções psíquicas elementares em funções psíquicas superiores ( formação de conceitos).
2.4
Princípios Pedagógicos:
Ancorada na teoria crítica , a educação formal é vista enquanto instância que cria possibilidade para a ampliação da consciência , por meio da formação de conceitos científicos, com vista a ação transformadora.
3)
Objetivos Gerais da Escola:
A ESCOLA X tem por objetivos , com base nas Constituições Federal e Estadual, nas Diretrizes e Base da Educação Nacional e das do Ensino Fundamental e Médio , proporcionar aos alunos condições necessárias ao seu desenvolvimento pessoal de maneira que :
- utilizando os conhecimentos adquiridos , analisem crítica e criativamente a realidade, participando dela de maneira coerente com os princípios democráticos, assumindo de maneira responsável seus papéis como membros da família , da comunidade e da sociedade.
-
adquiram independência intelectual através da apropriação do
saber sistematizado conscientizando-se de que um conjunto de idéias de valores
sempre permeia a execução de suas atividades, sejam elas quais forem;
- promova-se intercâmbio de experiências com a comunidade através de uma educação aberta a realidade;
- participem do meio como agente de transformação social pela descoberta de respostas adequadas às exigências da época, colaborando para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna;
- continuem seus estudos em nível fundamental, médio e superior, fazendo da busca de conhecimentos e valores uma constante em suas vidas para que possam compreender a realidade e agir sobre ela;
- optem conscientemente por uma vida voltada para a cidadania, assumindo responsabilidades intrínsecas a esta opção.
4)
Objetivos Gerais da Educação Infantil , Ensino Fundamental e Ensino Médio
5)
Áreas do Conhecimento
5.1)
Área Linguagem , Códigos e suas
Tecnologias
Entende-se
a linguagem como atividade discursiva, o texto como unidade de ensino
e a noção
de gramática como relativa ao conhecimento que o falante tem de sua
linguagem, as atividades curriculares em Língua Portuguesa correspondem,
principalmente, a atividades discursivas: uma prática constante de escuta de
textos orais e leitura de textos escritos e de produção de textos orais e
escritos, que devem permitir, por meio da análise e reflexo sobre os múltiplos
aspectos envolvidos, a expansão e construção de instrumentos que permitam ao
aluno, progressivamente, ampliar sua competência discursiva.
Deve-se ter em mente
que tal ampliação não pode ficar reduzida apenas ao trabalho sistemático com
a matéria gramatical. Aprender a pensar e falar sobre a própria linguagem,
realizar uma atividade de natureza reflexiva, uma atividade de análise lingüística
supõe o planejamento de situações didáticas que possibilitem a reflexão não
apenas sobre os diferentes recursos expressivos utilizados pelo autor do texto,
mas também sobre a forma pela qual a seleção de tais recursos reflete as
condições de produção do discurso e as restrições impostas pelo gênero e
pelo suporte. Supõe, também, tomar como objeto de reflexo os procedimentos de
planejamento, de elaboração e de reestruturação dos textos.
A atividade
mais importante, pois, é a de criar situações em que os alunos possam operar
sobre a própria linguagem, construindo pouco a pouco, no curso dos vários anos
de escolaridade, paradigmas próprios da fala de sua comunidade, colocando atenção
sobre similaridades, regularidades e diferenças de formas e de usos lingüísticos,
levantando
hipóteses sobre as
condições contextuais e estruturais em que se dão a partir do que os alunos conseguem intuir nesse
trabalho epilingüístico, tanto sobre os textos que produzem como sobre os
textos que escutam ou lêem, que poderão falar e discutir sobre a linguagem,
registrando e organizando essas intuições:
uma atividade metalingüística , que envolve a descrição dos aspectos
observados por meio da categorização e tratamento sistemático dos diferentes
conhecimentos construídos.
Na perspectiva de uma
didática voltada para a produção e interpretação de textos, a atividade
metalingüística deve ser instrumento de apoio para a discussão dos aspectos
da língua que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se
justifica tratar o ensino gramatical desarticulado das práticas de linguagem.
O caso, por exemplo, da gramática que, ensinada de forma
descontextualizada, tornou-se emblemática de um conteúdo estritamente escolar,
do tipo que só serve para ir bem na prova e passar de ano não uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de exemplifição,
exercícios de reconhecimento e memorização de terminologia.
Em
função disso, discute-se se há ou não necessidade de ensinar gramática. Mas
essa é uma falsa questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la. Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise lingüística,
que a referência não pode ser a gramática tradicional. A preocupação não
é reconstruir com os alunos o quadro
descritivo constante dos manuais de gramática escolar (por exemplo, o estudo
ordenado das classes de palavras com suas múltiplas subdivisões, a construção
de paradigmas morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um fôlego
em todas as suas formas temporais e modais, ou de pontos de gramática, como
todas as regras de concordância, com suas exceções reconhecidas).
O que
deve ser ensinado não responde às imposições de organização clássica de
conteúdos na gramática escolar, mas aos aspectos que precisam ser
tematizados em função das necessidades apresentadas pelos alunos nas
atividades de produção, leitura e escuta de textos.
O
modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica metodologia de definição
, classificação e exercitação, mas corresponde a uma prática que parte da
reflexão produzida pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia
simples e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor, do
conhecimento gramatical produzido.
Isso
implica, muitas vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela gramática
tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não corresponde aos usos
atuais da linguagem, o que coloca a necessidade de busca de apoio em outros
materiais e fontes.
5.2) Área de Ciências Naturais, Matemática e suas Tecnologias
De acordo
com as Diretrizes Nacionais Curriculares do Ensino Médio, nessa área
“incluem-se as competências relacionadas à apropriação de conhecimentos da
física, da química, da biologia e suas interações ou desdobramentos como
formas indispensáveis de entender e significar o mundo de modo organizado e
racional como também de participar do encantamento que os mistérios da
natureza exercem sobre o espírito
que aprende
a ser curioso, indagar e descobrir.
O
agrupamento das ciências da natureza tem ainda o objetivo de contribuir para
compreensão do significado da ciência
e da tecnologia na vida humana e social de modo a gerar protagonismo diante das
inúmeras questões políticas e sociais para cujo entendimento e solução as
ciências da natureza são uma referência relevante.
A
presença da matemática nessa área se justifica pelo que de ciência tem a
matemática, pela sua afinidade com as ciências da natureza, na medida em que
é um dos principais recursos de constituição e expressão dos conhecimentos
destas últimas, e finalmente pela importância de integrar a matemática com os
conhecimentos que lhe são mais afins. Esta última justificativa é, sem dúvida,
mais pedagógica que epistemológica e pretende retirar a matemática do
isolamento didático em que tradicionalmente se confina no contexto escolar.”
(Parecer CEB/CNE No.15/98, de 1 de junho de 1998. Diretrizes Curriculares Nacionais
para o Ensino Médio (DCNEM) pg.61).
5.3)
Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias
“Na área
das CIENCIAS HUMANAS, da mesma forma, destacam-se as
competências
relacionadas à apropriação dos conhecimentos dessas ciências com suas
particularidades metodológicas, nas quais o exercício da indução é
indispensável. Pela constituição do significados de seus objetos e métodos,
o ensino das ciências humanas e sociais deverá desenvolver a compreensão do
significado da identidade, da sociedade e da cultura, que configuram os campos
de conhecimentos de história, geografia, sociologia, antropologia, psicologia,
direito, entre outros.
Nesta área
se incluirão também os estudos de filosofia e sociologia necessários ao exercício da cidadania, para cumprimento do que
manda a letra da lei. No entanto, é indispensável lembrar que o espírito da
LDB é muito mais generoso com a constituição da cidadania e não a confina a
nenhuma disciplina específica, como poderia dar a entender uma interpretação
literal da recomendação do inciso III do parágrafo primeiro do Artigo 36.
Neste sentido, todos os conteúdos curriculares desta área, embora não
exclusivamente dela, deverão contribuir para a constituição da identidade dos
alunos e para o desenvolvimento de um protagonismo social solidário, responsável
e pautado na igualdade política.” ( Parecer CEB/CNE 15/98, de 1 de junho de 1998.
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) pg.62).
5.4) Tecnologias
Nesta
proposta política pedagógica a tecnologia no ensino fundamental comparece no
sentido da familiarização do manuseio e
com a nomenclatura das tecnologias de uso universalizado , como por exemplo os
cartões magnéticos.
No
ensino médio “a presença da tecnologia responde a objetivos mais
ambiciosos.
Ela comparece integrada às ciências da natureza uma vez que uma
compreensão contemporânea do universo físico, da vida planetária e da vida
humana não pode prescindir do entendimento dos instrumentos pelos quais o ser
humano maneja e investiga o mundo natural. Com isso se dá continuidade à
compreensão do significado da tecnologia enquanto produto, num sentido
amplo.” ( Parecer CEB/CNE No.15/98 , de 1 de junho de 1998.
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) pg.62 )
O
projeto pretende identificar nas matemáticas, nas ciências naturais, nas ciências
humanas, na comunicação e nas artes, os elementos de tecnologia que lhes são
essenciais e desenvolvê-los como conteúdos vivos, como objetivos da educação
e, ao mesmo tempo, meio para tanto.
Visando atingir tais
objetivos , serão utilizados recursos
de comunicação como vídeos e infográficos e todo o mundo da multimídia; das
técnicas de trabalho em equipe; do uso de sistemas de indicadores sociais e
tecnologias de planejamento e gestão. Além disso, a incorporação das
tecnologias e de materiais os mais diferenciados na arquitetura, escultura,
pintura, teatro e outras expressões artísticas. Se muitas dessas aplicações,
como produto, têm afinidade com as ciências naturais, como processos
identificam-se com as linguagens e as ciências humanas e sociais.
6)
Metodologia
A metodologia deverá estar sempre coerente com os princípios
filosóficos, sociológicos, psicológicos, pedagógicos assumidos pela escola.
Sendo assim o professor tem um papel fundamental , pois através de sua ação,
é mediador do processo ensino/aprendizagem/desenvolvimento do aluno , rumo a
sua própria autonomia. Ele é responsável pela intencionalidade educativa
presente nas relações existentes, através de um planejamento acompanhamento e
constante avaliação.
Nesta perspectiva o professor é um constante pesquisador e estudioso, sempre em busca de conhecimentos para seu desenvolvimento pessoal e profissional, possibilitando tornar-se participe na elaboração e execução do projeto pedagógico da escola. O professor deve Ter bastante claro que os princípios que regem seu fazer estão diretamente relacionados com os princípios de cidadania que estarão sendo construídos pelas crianças. Desta forma é fundamental buscar a coerência entre o ideal de formação que se quer alcançar e os procedimentos assumidos pelo docente enquanto ser individual, social, profissional e político na efetivação de seus objetivos , seus valores e seus ideais, para que possamos almejar uma realçando o que esta sociedade tem de melhor, seu potencial humano.
Tornar-se fundamental o processo de elaboração
conceitual por parte do aluno que dependerá da diversidade e qualidade das
experiências interacionais vividas cabe ao professor essas relações sempre
mediadas pela linguagem, ricas de vivência, observação, levantamento de hipóteses,
transferências, exploração, manipulação, criatividade, identificação
reconhecimento, participação, comparação, análise/síntese, generalização,
sensibilização e reflexão, contribuindo para a construção de seu próprio
conhecimento através de um processo dialético, onde tenha possibilidades de
perceber as diferentes realidades , a história, o todo, as relações , o
movimento e as contradições existentes.
7)
Procedimentos Metodológicos:
Os procedimentos metodológicos assumidos pela escola tem que estar fundamentados nesta concepção de mundo, homem, escola, aprendizagem. O professor tem que ter consciência da sua prática de ensino, saber o que , porque e como ensinar, pois a sua prática revela suas concepções. Os procedimentos metodológicos devem ser claros para ele para que seus objetivos sejam alcançados. A ação especificamente pedagógica , cumpre uma função política e o fazer do professor nunca é neutro.
8)
Papel do professor
Dentro de nossa proposta o papel do professor é de mediador do conhecimento. A própria palavra professor quer dizer “aquele que professa, ou seja, aquele que possui uma missão : a de formar pessoas.
Saviane escreve no seu texto Escola e Democracia (1983) “o professor deve antever com uma certa clareza a diferença entre o ponto de partida e ponto de chegada do processo educativo” ... “sem o que não seria possível organizar e implementar os procedimentos necessários para se transformar a possibilidade em realidade”.
A intencionalidade educativa deve assumir um caráter de premeditação – planejamento prévio, acompanhamento e avaliação – que vai muito além daquele encontrado na família ou outras instâncias educativas. O sucesso da interação é que vai medir a eficiência da instituição , visto ter sido criada com a finalidade de formalizar os processo educativo.
Sintetizando, na classe , o professor tem um papel importante, pois ele planeja, viabiliza, propõe , coordena e avalia o processo de realização das atividades desenvolvidas
Sendo assim os projetos são elaborados pelos professores de cada série. São resultados da interação dos professores sobre a análise dos objetivos e conceitos e das informações sobre os interesses e necessidades do seu grupo.
Durante o desenvolvimento das atividades o
professor deve estar atento para que na medida do possível seus alunos reflitam
, repensem e refaçam o que for preciso. O professor deve questionar e desafiar
seus alunos para que estes levantem dados, hipóteses, e procurem encontrar
formas para realizar o que foi proposto.
É fundamental estar atento ao momento de construção social do conhecimento , para o qual todos contribuem. Orquestrar estas contribuições individuais, numa perspectiva coletiva ,elevando o conhecimento a níveis mais elaborados, é um dos papéis mais importantes do professor.
9)
Papel do aluno
O homem é um ser social, contextualizado no tempo e no
espaço, produtor da sua história e agente transformador. Seu crescimento e
desenvolvimento estão articulados aos processos de apropriação de
conhecimento disponível em sua cultura. Com base nestes e em outros princípios
o papel do aluno não poderia deixar de ser interativo, envolvido e co-responsável
por todo trabalho desenvolvido na escola.
10)
Papel da escola
Escola é vida, onde o aluno experiencia diferentes relações
e interações com o mundo de maneira contextualizada, sem perder de vista sua
totalidade, contradições e transformações . Através destas interações,
mediadas pelo professor, os conhecimentos significativos vão sendo apropriados
pela crianças.
A escola é uma instituição onde cada etapa tem valor por si mesma e que deve responder às transformações que os alunos vivem e com as que relacionam a vida diária sem perder de vista seu compromisso político com o saber e com as transformações.
11)
Concepção de conhecimento
Esse Plano de Ação pedagógica traz uma nova concepção
de conhecimento escolar: significativo, contextualizado no tempo e no espaço,
político, integrado com uma visão dialética ( totalidade, contradição e
movimento). O conhecimento não é linear, portanto, complexo, privilegiado
todos os aspectos que o formam.
Saviane nos fala da dimensão do saber: saber, saber
fazer e saber ser. Vygotsky, por sua vez, chama a nossa atenção para a importância
da razão, emoção e imaginação, nas interações e consequentemente na
aprendizagem, para ele esses aspectos não podem ser analisados separadamente.
12)
Concepção de currículo
A escola tem como ponto de partida , em sua estrutura e
organização curricular, os conhecimentos que o educando já possui,
ampliando-os e organizando-os rumo à apropriação do conhecimento
historicamente acumulado, num processo de elaboração de conceitos,
possibilitando que o educando se perceba enquanto sujeito histórico/social. O
eixo , portanto, da estrutura e organização curricular , é a constituição
da linguagem do educando, de seu pensamento , na interação com o outro e com o
mundo.
Baseado nos conceitos e objetivos ( saber, saber fazer, saber ser) o currículo do busca uma visão de totalidade , contradição e movimento, sendo flexível e contextualizado no tempo/espaço por meio das áreas do conhecimento.
13)
Concepção de Avaliação
A avaliação processual possibilita ao aluno perceber
seus avanços, reconstruir seu caminho, aprender com seus erros ; permite ao
professor avaliar sua prática ( o que , por que, como) e replanejar sua ação.
A avaliação , portanto, é considerada como parte das
atividades, onde as ações dos alunos nos revelam o nível de elaboração no
seu processo de aprendizagem/desenvolvimento, norteando a necessidade da nossa
intervenção e reflexão sobre a nossa ação. Sendo assim, o “erro” ou
“acerto” são sinais de aprendizagem que norteiam o fazer do ensino. Nessa
concepção as produções dos alunos se transformam , progridem enquanto ocorre
o processo de aprendizagem.
Na avaliação os objetivos assumem o papel primordial,
pois só um fazer consciente pode saber onde deseja chegar.
Outro aspecto importante nesta concepção é o registro. É preciso que ele seja eficaz , vivo, revelador das ações dos alunos em situações significativas elaboradas pelo professor. A avaliação, desta forma, é um instrumento para a formação contínua, não somente do aluno, mas também do trabalho desenvolvido pelo professor.
14)
Organização dos projetos integradores de áreas
Os temas dos projetos desenvolvidos pela escola devem consistir numa multiplicidade de portas abertas para o conhecimento de si e do mundo, numa visão dialética da realidade: totalidade, contradição e movimento. Deve fazer parte de referências culturais do universo do professor e de seus alunos e que portanto culturalmente significativo para esse grupo de trabalho.
O que caracteriza o trabalho com projeto, não é a origem do tema, mas o tratamento dado a esse tema , no sentido de torná-lo uma questão do grupo como um todo e não apenas de alguns alunos ou professor.
14.2)
Atividade Orientadora de Ensino
É o conjunto articulado da intencionalidade do educador
que lançará mão de instrumentos e de estratégias que lhe permitirão uma
maior aproximação entre os sujeitos e o objeto de conhecimento.
A atividade é orientadora porque o professor parte do
pressuposto de que o resultado final da aprendizagem é fruto das ações
negociadas e tem consciência de que não domina o conjunto de fenômenos da
classe. Por isso elege uma orientação geral que possibilita saber a direção
a ser seguida para um ensino significativo. O professor é o organizador da
atividade e por isso sabe o que está em jogo no espaço da sala de aula : os
conceitos ; as principais dificuldades em elaborá-lo; as respostas que indicam
como está caminhando o processo de elaboração e as solicitações necessárias
para redirecionar a busca de um nível mais avançado de conhecimento.
14.3)
Quais conceitos serão trabalhados
Estes serão apontados nos planos de trabalho de cada professor , possibilitando a integração entre as áreas do conhecimento.
14.4)
Problema desencadeador
São as situações desencadeadoras de aprendizagem.
Trata-se de apresentar aos alunos um problema existente , real, significativo,
que contenha uma questão importante para ser explorada vinculada a prática
social dos alunos. O problema deve ser contextualizado, isto é , Ter dimensões
sociais, políticas, culturais. Dessa maneira, a classe será incentivada a
interagir, possibilitando o pensar, pesquisar, conhecer, levantar e analisar os
dados, elaborar hipóteses garantido a aprendizagem/desenvolvimento ,
contribuindo assim para a elaboração de conceitos.
A problemática sempre acontecerá por meio de uma pergunta e a partir do conceito que deverá ser elaborado pelos alunos.
A problematização pode ser desencadeada de diferentes formas: textos
( escritos, sonoros, visuais) , estudo do meio, pesquisa virtual, de um tema que o professor considere necessário, jogos, situações emergentes.
14.5)
Desenvolvimento
São as diferentes experiências planejadas pelos
professores para atingir os objetivos discutidas, replanejadas e vivenciadas
pelo grupo possibilitando novos problemas e novas buscas. As experiências
proporcionadas devem ser principalmente significativas , lúdicas e
interessantes para os alunos.
14.6)
Síntese da solução coletiva, mediada pelo professor
Após o processo , o professor juntamente com os alunos
busca uma forma de registrar (gráficos , desenhos, textos coletivos) as soluções
encontradas.
14.7)
Prática Social
No momento em que um conhecimento proximal passa a ser real as convicções iniciais vão sendo superadas e outras mais complexas vão sendo construídas. As novas aprendizagens passam a fazer parte dos esquemas de conhecimento dos alunos e vão servir de conhecimento prévio para outras situações de aprendizagem.
Quando a aprendizagem acontece, surgem novas possibilidades de desenvolvimento e vice versa, influenciando a maneira do aluno ver, sentir , conhecer, agir e transformar.
Os projetos integrados de áreas podem ser
planejados para cada série ou para os cursos respeitando
e atendendo as necessidades de cada faixa etária.
Bibliografia:
Marx, K. A Ideologia Alemã . São Paulo: Hucitec,1986
Parecer CEB/CNE
No.15/98, de 1 de junho de 1998.
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio
Saviani, D. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez/Autores Associados,1990
Vygostky, L.S. Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes,1991.
___________ Pensamento e Linguagem . São Paulo: Martins Fontes, 1991